Hoje acordei triste, provavelmente no delírio de uma febre matinal protagonizada por um sono mal dormido.
Foi sem duvida um dia comprido, na ressaca de um regresso a casa sem morada, por um aeroporto apinhado de gente mas infinitamente vazio de sentido, para o mergulho naquelas noitadas sem segredo nem motivo, com a observação concreta de não terem nada a ver comigo.
A garganta grunhe num tom que me é totalmente desconhecido, o anti gripe, o cházinho, o leitinho com mel, as torradas e os caldinhos, mais as receitas artesanais da avozinha, parecem lembranças remotas de um rejuvenescer de ontem que não curam este estado de espírito, e nem aquecem este frio que sinto.
Que neura…maldito sejas viruzinho…
Combato-te com memórias de calor, com recordações muito próximas e muito minhas, repletas de cheiros, de cores, de sabores, dos sonhos e das vontades, e de todas as minhas verdades, na construção do um porto de abrigo que me reconheça como seu.
Por isso vai importunar outro freguês que tenha tempo para carpir os teus males.
Quero adormecer embalada na certeza que amanhã quando acordar das duas uma, ou tu nunca exististe ou simplesmente estarás esquecido.
Catarina
beijinho*